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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Caroline Fair - Cap. 3


Daniel sentou na classe ao meu lado, como de costume. Me disse bom dia e se demorou um pouco no meu rosto, achei aquilo bastante estranho mas ignorei. Ele fez isso algumas vezes na semana passada. A professora começou a falar e então fui tirando os materiais da mochila. Caderno, estojo, agenda, garrafa de água. Ainda sobrou dentro da mochila minha pasta com divisórias e um casaco, todos dizem que sou exagerada. Mas melhor prevenir do que remediar não é? Embora eu sempre esqueça do guarda-chuva, talvez devesse ter deixado ele na bolsa também. É sim, uma ótima ideia!

-Carol, você fez a lição? Olhei rapidamente para a cara da professora, vish, a cara esta apertada. Ela está irritada, deve ter me chamado mais de uma vez e novamente me perdi na divagação.
-Então Carol, me responda! Ops, novamente.

-Claro professora, deixe-me apenas tirá-la da pasta, já lhe entrego. Seus olhos se suavizaram, obviamente tinha sido uma das únicas, mais uma vez, a fazer sua lição. Olhando para suas mãos verifiquei que ela tinha poucas folhas. Finalmente achei a tarefa e lhe entreguei em mãos. Ela saiu parecendo estar um pouco melhor. 

Realmente não compreendo, qual a grande dificuldade de fazer a tarefa? Óbvio, existem exceções, os que trabalham um turno inteiro, mas normalmente esses entregam. Realmente não compreendo o que se passa. Talvez eu seja mesmo muito nerd.

A aula foi fluindo, fazia alguns comentários quando sabia sobre o que a professora estava falando, apenas para garantir minha qualitativa. Então, deixei minha mente divagar, lembrando do momento que Tomás falou comigo. Ah, sempre sonhei com ele, ele faz parte das minhas fantasias quentes até mesmo, Vin Diesel perdeu seu posto! Quem diria!

O sinal tocou, comecei a guardar os materiais na mochila, então percebi uma movimentação ao meu lado, era Daniel.

-Você não falou uma palavra comigo hoje- Disse parecendo chateado- Está tudo bem em casa? Perguntou com os olhos compreensivos.

-Ah, o mesmo de sempre, você sabe. Ele é de lua, mas nada de grave aconteceu, apenas estava aérea. Vi o Tomás saindo da sala antes de entrar aqui, ele conversou com você?

Pediu com os olhos expressando uma reação diferente. Abaixei a cabeça mostrando minha timidez.
Sim, ele falou comigo, mas não foi nada de mais.

-Então porque ele está lhe esperando ali na porta? Olhei assustada para a porta e vi Daniel sair apressado na minha frente. Não entendi a irritação, mas Tomás parece ter entendido, pois deu uma risada sarcástica e um sorrido de quem diz saber de algo. Quando perguntei o que era, o sorriso lindo aumentou, parecendo se divertir ainda mais. 

-Hey Carol, queria te convidar para sairmos hoje a noite, o que acha? Falou sendo extremamente direto. Meu primeiro impulso foi dizer não, mas então eu me surpreendi e disse: SIM!

Leia o capítulo 1 e 2.

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sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Caroline Fair - Cap. 2

AVISO: A palavra "discussão" não está escrita da forma correta. Perdão pelo engano.

Saio de casa as pressas, tão rápido quanto meus pés podem avançar. Realmente não entendo essas mudanças de humor que papai tem, existem dias que ele é o melhor pai do mundo, mas em outros eu tenho tanto medo que minha vontade é fugir de casa. Mas fiz uma promessa pra mim mesma dias atrás, até coloquei em uma dessas mil listas de objetivos que sempre faço, cada dia será um novo dia. Todos os dias vou tentar fazer tudo diferente, porque as coisas precisam mudar. Enquanto caminho a chuva molha meus cabelos, esqueci de novo o guarda chuva, gostaria de não esquecer as coisas com tanta facilidade, isso me deixa em apuros muitas vezes. Pelo jeito o dia será longo mesmo... NÃO! Concentre-se Carol. 

Finalmente, mais alguns passos e entro de baixo de um teto. As vezes fico comovida pela sensação de felicidade ao chegar na escola, em geral isso é bastante raro. Mas, obviamente a sorte não está do meu lado novamente. Alicia Carton estaciona sua cabeleira loura platinada na minha frente, com seu guarda chuva de corações.

-Oh, olá Carol! Vejo que irá assistir a aula toda encharcada, mais uma vez. (risos) Eu entendo que sua família é pobre, mas um guarda- chuva costuma custar cinco reais se você procurar bem, poderia deixar seu lanchinho da tarde de lado. Você precisa mesmo perder peso.

A sua trupe inteira deu risada, fico abismada com a capacidade que Alicia tem de se fingir de meiga. Dou um largo sorriso para a lagarta em minha frente e me preparo para dar uma grande resposta, uma que vai desmoralizá-la.

-Com licença. 

Airg, porquê não consigo sequer pensar em uma resposta atrevida? Poderia ter dito: "Sai da minha frente vadia", ou algo legal assim. Mas não, eu nunca lembro das melhores respostas na hora. 

Finalmente chego em minha sala de aula, a professora de português já está sentada, tomando seu café e lendo o noticiário como de costume. Ela diz que a sala dos professores é muito barulhenta, não permitindo uma leitura agradável dos fatos. 

Me encaminho para a minha classe, mas fico apavorada ao ver Tomás sentada em minha cadeira. Suspiro por dentro, pensando o quanto será difícil manter a compostura. Tiro os fones de ouvido, que só agora percebi, estavam nos meus ouvidos sem qualquer música tocar, odeio quando isso acontece. 

-Com licença Tomás, poderia me deixar sentar na minha cadeira?

Aqueles olhos negros olharam dentro dos meus, ele suspirou e com uma voz sarcástica disse: 

-Por acaso seu nome está nessa classe?

Fiquei irritada, por até o meu crush (risos) tentar infernizar o meu dia hoje e respondi:

-Na verdade sim, o espelho de classe está na mesa da professora. Gostaria de me acompanhar e constatar você mesmo?

Antes de fechar minha boca percebi o que tinha feito, senti meu rosto corar e só queria que o chão me engolisse. Os alunos que estavam na sala ficaram em silencio, só esperando a reação de Tomás. Eu também. Mas ele me olhou como se tivesse achado minha resposta divertida. Levantou-se da cadeira, colocou a mão na minha cintura e chegou com sua boca perto da minha orelha:

-Sabe Carol, sempre soube que você é por dentro uma gatinha rebelde. Gostaria de ver essas suas garras em ação. Ele sorriu de canto, piscou e saiu da sala de aula, levando com ele seus dois fiéis escudeiros.

Fiquei parada, tentando entender o que tinha acontecido. Fiquei enojada por seu palavreado, mas ele é o menino que sonho todas as noites, então deletei o que ele disse e reformulei sua fala:

"-Sabe linda Carol, sempre soube que você é uma mulher forte e sensual. Gostaria de convidar-lhe para sair e marcar nosso casamento".

Talvez tenha ficado fictício de mais, mas quem se importa? Isso tudo está guardado apenas na minha cabeça. A professora começou a aula, até depois. 
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quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Caroline Fair - Cap. 1


O celular não parava de emitir um ruído horrível, incessante! Todos os dias, as seis horas da matina é a mesma coisa. O despertador toca e a vontade de levantar não aparece. Jogo os braços por cima da cabeça em uma tentativa inútil de fazer com que o barulho não me perturbe mais e me deixe dormir mais cinco minutos apenas. 

Lá da cozinha vem um barulho insistente de xícaras, e a chaleira no fogo emite sinal de que a água já ferveu. Mais um dia da semana, mais um dia da minha vida. E ainda assim, nada parece ter mudado. Levanto da cama, me olho no espelho e graças a Deus por já estar acostumada com essa minha cara, caso contrário teria dado um grito, devido a minha aparência naquela manhã, em todas as manhãs na realidade. Termino de me arrumar e rumo ao banheiro, escovo os dentes, passo um pouco de corretivo, BBCream e pó. Nesta manhã ignoro o blush, parto direto para a máscara de cílios, e como de costume coloco o brilho labial no bolso. Caminho em direção a cozinha, a cena é a mesma de todas as manhãs. Meu irmão Pedro está sentado no lado direito da mesa, seus pezinhos balançando por ainda não alcançar o chão, come com extrema vontade os cereais a sua frente. Minha mãe esta sentada, lendo seu jornal e comentando sobre a coluna de funerais no jornal, ela tem uma fascinação estranha com tudo isso. Meu pai está se servindo de um pouco de café preto, sigo seu exemplo. E cumprimento toda a família.

-Bom dia gente- Falo com um tom nota zero de animação em minha voz, parece que ficar até tarde acordada realmente não faz bem para a motivação das pessoas. 

-Bum diiiia - Diz Pedro, aquele sorrisinho banguela acaba por me fazer sorrir com ternura. Talvez o dia não seja tão ruim assim...

-Bom dia, você viu aquela menininha de 5 anos que foi morta e largada no rio Açapé? - Fala mamãe com o mesmo toque de brilhantismo em sua voz. Agora é a vez de papai me dar bom dia, será que hoje é um dia bom? Será que hoje ele não esta brabo, seja la pelo motivo que for? Essa bipolaridade é realmente estressante!

Mas ele não me cumprimenta, sua cara permanece fechada. Eu entendo que devo apenas me sentar, comer e sair de casa o mais rápido possível. Afinal é mais um dia, mais um longo dia de rotina estressante, brigas e sono. Um dia normal na vida de Caroline Fair.
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